o documentário

Em celebração ao legado de um dos primeiros diretores negros do cinema no Brasil, será realizado um curta-metragem sobre a vida e obra de Odilon Lopez. A produção será do Coletivo Macumba Lab e contará com o relato de fontes ligadas à família do cineasta, além de pesquisadores e personalidades do cinema gaúcho. O material também será exibido em instituições de ensino do Rio Grande do Sul, ampliando espaços de reflexões sobre identidade étnica, racismo, educação e oportunidades para pessoas negras.

oDILON LOPEZ (1941-2002)

Odilon Lopez é um nome pioneiro. Um dos primeiros diretores negros do cinema no Brasil, o mineiro radicado gaúcho se apresenta como uma importante referência para as gerações futuras do audiovisual produzido no Rio Grande do Sul. 

Nascido em Minas Gerais, em 1941, Odilon se estabeleceu em Porto Alegre ainda com 18 anos. Na capital gaúcha atuou como jornalista e cinegrafista, lançando seu olhar e suas lentes para imagens que, posteriormente, se tornariam. São de autoria de Odilon alguns registros dos movimentos da Legalidade e da Redemocratização. O nome do cineasta também figura entre os nomes fundadores da TVE - RS.

Criativo e inventivo, também atuou como diretor, roteirista de cinema, ator de teatro, e ainda criou obras como escritor e artista plástico. Seu nome está gravado na história do cinema brasileiro por conta do longa-metragem de ficção “Um É Pouco, Dois É Bom” primeiro filme de narrativa e linguagem urbana realizado no Rio Grande do Sul. Distribuído nacionalmente, o filme também é um marco em termos de representatividade, sendo o segundo longa dirigido por um homem negro no país.

Apesar do seu talento e importância para as artes, seu nome é pouco ou nunca mencionado nos cursos de cinema e de realização audiovisual existentes no Rio Grande do Sul. Portanto, realizar esse documentário é uma ação de reparação histórica e uma forma de resgatar para as novas gerações esse multiartista e pioneiro negro. 

 

A trajetória de Odilon, atravessada fortemente pelas marcas profundas do racismo brasileiro — e especialmente de um pedaço de Brasil que, acredita-se, não existem negros — e a necessidade de apontar a importância de seu legado são a essência do Projeto “Odilon Lopez – 50 Anos”