NA MÍDIA: CO-FUNDADORA DO MACUMBA LAB FALA SOBRE PROJETO ODILON LOPES À FM CULTURA

A diretora, roteirista e co-fundadora do Coletivo Macumba Lab, Mariani Ferreira, concedeu uma entrevista ao jornalista Marcelo Bergter, no programa Cultura na Mesa, da FM Cultura, no dia 26 de janeiro, sobre a motivação e intenção do Projeto “Odilon Lopez – 50 Anos”.


Durante a conversa, Mariani explicou o formato do projeto, com estreia no dia 1º de fevereiro e Aula Aberta “Descolonização do Olhar para um Cinema Antirracista”, ministrada pela jornalista e professora Rosane Borges.


Contemplado em duas frentes — um curso de formação para negres e a produção de um curta-metragem documental — o projeto tem como principal objetivo resgatar e celebrar a trajetória pessoal e profissional do cineasta Odilon Lopez.


REFERÊNCIA PARA FUTURAS GERAÇÕES DO CINEMA

Nascido em Minas Gerais e radicado no Rio Grande do Sul, Odilon Lopez sempre foi um apaixonado por cinema. Segundo Mariani, a sua versatilidade no meio audiovisual era um forte indício de que ele visualizava o cinema como o seu principal desejo e destino. “Aqui ele atua em muitos campos porque ele queria muito fazer cinema. Tudo que aproximasse ele do cinema ele ia fazendo. Então ele iniciou a atuação na TV e no jornalismo pra se aproximar do cinema, pra adquirir conhecimento, pra fazer cursos fora. Tudo pra ele conseguir realizar o filme que ele queria fazer”, aponta Mariani.

Quando conseguiu concretizar o sonho de produzir o seu filme, Odilon cravou o seu nome na biografia do cinema gaúcho. Segundo Mariani, “Um é Pouco, Dois é Bom” inovou por ser um filme ambientado no cenário urbano, num momento em que a maioria dos filmes do Rio Grande do Sul voltavam suas lentes para as zonas rurais do estado. Além disso, a obra foia primeira a ser dirigida no estado por um cineasta negro.

A roteirista também destaca como “Um é Pouco, Dois é Bom” é importante por abordar de forma profunda e atual as relações étnico-raciais na sociedade brasileira.


LEGADO PARA SER CELEBRADO

Como uma das idealizadoras do Projeto Odilon Lopez — 50 Anos, Mariani aponta como é importante para os realizadores em início de trajetória o processo de olhar para trás e buscar referências nos profissionais mais velhos e que, assim como Odilon, atravessaram as barreiras do racismo para poder contar suas próprias histórias.

“Sempre quando a gente começa um trabalho, a gente primeiro olha pros mais velhos, para o que os mais velhos fizeram, para reverenciar e também buscar sabedoria. Então eu acho extremamente importante olhar pra história do Odilon, como ele conseguiu fazer cinema no Rio Grande do Sul, ser pioneiro numa época tão difícil.” (incluir esse trecho com destaque)


Para além disso, a inspiração em figuras como a de Odilon também é uma forma de concretizar o sonho de jovens negres de contar histórias no meio cinematográfico, historicamente demarcado por uma evidente restrição de classe e raça. “A forma como ele produziu o filme dele pra quem tá começando no cinema, pra nós realizadores pretos, é muito interessante olhar. É aquela coisa, quem não vem com um sobrenome estrangeiro, que não é muito conhecido, como é que você começa fazer cinema se é uma arte muito cara? Olhando como o Odilon fez a gente tem pistas, né.”

Dividido em duas partes, “Um é Pouco, Dois é Bom” possui apenas uma cópia em película na íntegra, no acervo da Cinemateca Capitólio. Por sua vez, a parte dois do filme, “Vida Nova por Acaso”, encontra-se digitalizada, disponível nas plataformas de vídeo.

A entrevista completa com a cineasta Mariani Ferreira ao programa Cultura na Mesa ( FM Cultura) pode ser ouvida AQUI EMBAIXO ⬇⬇⬇⬇





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