• Glauber Cruz

O racismo no Oscar

Academia de Artes Cinematográficas começa a responder lentamente as reivindicações de celebração de "novas" narrativas


No último domingo (28) a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas realizou a 93ª de edição do Oscar. Conhecida como a maior premiação do cinema, o Oscar é reflexo da grande desigualdade que marca o universo audiovisual. Em toda a sua história, que começou em 1929 com a primeira premiação, o prêmio foi entregue menos de 50 vezes a profissionais negros.


E ainda hoje o número de profissionais consagrados nas principais categorias (filme, direção, ator e atriz) não chega a uma dezena. Até hoje, não há realizadore negre que tenha vencido o prêmio de direção. Apenas o cineasta Steve McQueen venceu por Melhor Filme. Apenas a atriz Halle Barry ganhou a estatueta de Melhor Atriz. E apenas o cineasta Jordan Peele venceu a categoria de Melhor Roteiro Original.


A categoria de Atriz e Ator Coadjuvantes concentra o maior número de artistas negros premiados. Nomes como Louis Gousset Jr., Whoopi Goldberg, Lupita Nyong'o, Denzel Washington, Morgan Freeman, Viola Davis e Regina King fazem parte da lista de premiados. Na 93ª edição, a lista ganhou um novo nome: Daniel Kaluuya (já indicado à categoria de Melhor Ator em 2018) venceu por sua atuação no filme "Judas e o Messias Negro".




Em 2016, quando todos os quatro indicados de atuação e direção eram brancos, iniciou-se o movimento #OscarSoWhite, que tensionou a Academia e trouxe para o centro do palco a discussão sobre representatividade e racismo no audiovisual. De 2016 até aqui, algumas mudanças aconteceram. Spike Lee venceu o seu primeiro Oscar de Roteiro Adaptado (por "Infiltrado na Klan") e foi indicado pela primeira vez à categoria de Melhor Diretor pelo mesmo filme. Em 2017, “Moonlight” se tornou o primeiro filme com temática LGBTQI+ e com um elenco inteiramente negro a vencer o prêmio de Melhor Filme.


Além da premiação de Kaluuya, na última edição tambpem foram consagrados o pianista Jon Batiste (Melhor Trilha Sonora); a cantora H.E.R (Melhor Canção) e o diretor Travon Free (Melhor Curta-Metragem).


Embora tardiamente, aos poucos a gramática do audiovisual vai mudando e a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, como uma instituição, reconhecendo histórias de outras narradores como merecedoras de reconhecimento que são. Abrindo possibilidades para narrativas e olhares de profissionais que já têm uma grande e admirável trajetória, pioneiros que há anos contam nossas, e para novos, que vão ajudar a consolidar essas narrativas, num futuro, esperamos, não tão distante.


4 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo